Eólicas geram 30% da energia no Nordeste

Novas usinas e estiagem prolongada, que reduz produção de hidrelétricas, explicam resultado recorde de agosto Apesar da crise da economia, s...

Parque Eólico Rio do Fogo, no Rio do Fogo, no Rio Grande do Norte. O paeque tem 62 aerogeradores que produzem 49,6MW/hora de energia. Isso equivale ao abastecimento de uma cidade de aproximadamente 60.000 habitantes. Foto: UOL
Novas usinas e estiagem prolongada, que reduz produção de hidrelétricas, explicam resultado recorde de agosto

Apesar da crise da economia, setor espera continuar a crescer neste ano e gerar 59 mil postos de trabalho

Do Recife - Impulsionada pela redução dos custos e pela estiagem prolongada, a quantidade de energia eólica gerada no Nordeste atingiu seu recorde em agosto passado e ficou perto de se igualar às fontes tradicionais, como hidrelétricas e termelétricas.

No último mês, os aerogeradores foram responsáveis por 30,6% de toda energia produzida na região - a maior participação já registrada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). No mesmo período, as fontes térmicas geraram 35,7%, e as hidrelétricas, 33,7%.

Para uma comparação, no ano passado, a maior participação das eólicas na região foi de 16,8% em outubro.

O peso das eólicas é maior no Nordeste devido à qualidade dos ventos na região: são constantes, unidirecionais e de alta velocidade.

Por isso, a maioria das 266 usinas em operação comercial no país se concentra naquela região, em Estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

A fonte eólica cresce em ritmo acelerado desde 2009 no país, quando foi realizado o primeiro leilão do setor. A capacidade instalada passou de 601 MW (megawatts) naquele ano para 2.514 MW, em 2012, e os 6.647 MW atuais.

Hoje, as eólicas são a quarta maior fonte do país e a segunda mais barata, com preço médio de R$ 180 por MWh. Só neste ano, 57 usinas foram instaladas.

Um dos fatores que reforçam a presença da energia gerada pelos ventos foi a estiagem prolongada dos últimos anos, que provocou a queda do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas e reduziu a energia produzida em relação a anos anteriores.

Para preservar a água em reservatórios estratégicos, como o da usina de Sobradinho, na bacia do São Francisco, o governo optou por aumentar o uso das termelétricas, que são mais caras e funcionam como reserva para períodos de estiagem.

MOVIMENTO DUPLO

"A geração hídrica está reduzida ao mínimo [em relação a anos anteriores]. Coincide termos aumentado a capacidade eólica e termos menos água disponível nas hidrelétricas. Esses dois movimentos fazem a participação da eólica crescer", afirma o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Mauricio Tolmasquim.

Além disso, a evolução tecnológica e a consequente redução dos custos foram decisivas para o desempenho do setor, que espera se tornar a segunda maior fonte de energia do país até 2020, segundo a presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Elbia Melo.

"Houve uma mudança tecnológica muito grande desde 2006, quando o primeiro parque eólico foi inaugurado, até 2009 - A altura da torre dobrou e a potência triplicou. Isso faz a produtividade ser maior e o custo, menor."

Apesar da crise, o setor é um dos poucos que se mantêm aquecidos. A previsão para este ano é de gerar 59,4 mil empregos, com investimentos de R$ 24 bilhões.

Em 2014, o setor fechou com 37 mil vagas.

A mudança tecnológica foi muito grande desde o 1º parque, em 2006, até 2009. Isso faz a produtividade ser maior, e o custo, menor Elbia Melo - presidente da Abeeólica

Fonte: Folha de S. Paulo

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Eólicas geram 30% da energia no Nordeste
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